Cães farejadores da Receita Federal
Conversamos com Cleiber Ferreira, que cuida dos cães de trabalho da Receita Federal, no Aeroporto de Viracopos, em Campinas.
Perguntamos ao Cleiber como são escolhidos os cães farejadores da Receita Federal
Nós chamamos de cães de trabalho porque o treinamento deles é parecido, tanto o farejador de drogas, como o farejador de explosivos, como aquele que vai encontrar pessoas, são bem específicos para este tipo de situação. Os cães da Receita Federal são escolhidos pelo driver, que é a intensidade que ele tem no desejo de caça, aquele instinto de caça, quanto mais instinto de caça ele possui, mais apto ele fica para realizar o trabalho de cão de faro. Porque é exatamente o faro que ele usa para encontrar a presa, que é o que nós utilizamos para fazer a associação. Um cão que não tem essa habilidade não consegue trabalhar, pois ele não utiliza o faro para procurar coisas, ele o utiliza para outros fins.
O principal componente é o driver, o segundo componente que nós analisamos no cão é a sociabilidade com o ambiente. Um cão medroso, que tem medo de barulho ou se é muito agressivo já não é um bom cão para trabalhar com o faro, porque vamos trabalhar em locais muito barulhentos, em locais que tem trânsito de empilhadeiras, em rodovias, um cão assustado não tem condição de fazer esse trabalho. Já um cão muito bravo, muito nervoso, é um cão ruim para trabalhar com pessoas. Os cães da Receita Federal que trabalham no aeroporto farejam passageiros o dia inteiro, um cão agressivo poderia morder um passageiro, poderia causar algum problema, o que não seria uma situação agradável. A sociabilização é o segundo item que identificamos no cão para fazer o trabalho da Receita Federal.
E quanto às raças indicadas para este trabalho
As raças mais utilizadas na Receita Federal são o pastor alemão o pastor belga Malinois. Porém, também podem ser utilizados como cães de faro o lavrador e o beagle, que é muito utilizado nos Estados Unidos, estas são as principais raças utilizadas. Porque são os cães que encontramos com mais facilidade. Os cães pastores, labradores e beagles, estatisticamente, têm em mais quantidade as duas características que são o driver e a socialização, então é mais fácil encontrar esses cães para fazer o trabalho de faro.
A Receita Federal padronizou utilizar o pastor alemão e o pastor belga Malinois para este trabalho. Porém, sabemos que os bombeiros de Minas Gerais chegaram a utilizar um cão vira-lata como cão de busca de pessoas no desastre de Brumadinho. Mesmo o cão vira-lata, se ele tiver as características do driver e da socialização, consegue fazer o trabalho de cão de faro. Pela nossa experiência, o pastor alemão e o pastor belga Malinois são encontrados em maior quantidade, são mais fáceis de adquirir.
Cleiber explica como é feito o treinamento dos cães
O treinamento é basicamente o mesmo para o cão farejador de drogas ou de explosivos. O treinamento dos cães da Receita Federal é feito num período de 6 meses a 1 ano, aproximadamente, depende do cão, há cães que aprendem mais rapidamente, outros demoram um pouco mais. Nosso plantel tem cães de 1 ano e meio, quando vamos fazer a compra, solicitamos cães de 1 ano para a frente, mas já tivemos cães de 3 anos de idade e eles aprendem normalmente, sem problema algum.
Cleiber comenta em que operações os cães são utilizados
Os cães da Receita Federal são utilizados para farejar drogas em aeroportos, como Viracopos e Guarulhos, em rodovias, no Porto de Santos e no Porto de Itajaí. A guarda municipal e a polícia militar utilizam os cães em campo, lugares abertos para fazer busca de drogas em fazendas, casas, etc.
Os tipos de cão de trabalho são: o cão de faro, o cão de acompanhamento, que é o cão guia, o cão de trenó, utilizado para puxar carga e como orientação, porque ele conhece os caminhos, e o cão de caça, que é aquele cão que o caçador solta para identificar a presa, orientado também pelo faro.
Cleiber fala dos cuidados com esses cães
Os nossos animais tem basicamente o mesmo cuidado que um pet, porém como eles são cães de trabalho, têm algumas especificidades: eles ficam sempre em canis, as brincadeiras são bem selecionadas, eles não podem brincar de qualquer coisa, porque o nosso treinamento é baseado em condicionamento. Nós ensinamos o cão que se ele cheirar certo tipo de odor, ele vai ganhar uma bolinha, toda vez que ele encontrar aquele odor, ele vai ganhar uma bolinha. Pode ser qualquer odor, droga ou explosivo, se você ensiná-lo a encontrar um molho de chaves, ele vai encontrar e você vai premiá-lo por isso. Então, em outras ocasiões eu não posso brincar com bolinha, senão ele vai associar que toda vez que ele encontrar qualquer outra coisa, ele vai ganhar aquela bolinha, então não podemos fazer isso.
Tomamos certos cuidados com as brincadeiras, eles têm horário para o trabalho, horário de descanso e eles não ficam soltos. A alimentação dos cães é balanceada, utilizamos uma ração super premium para dar um pouco mais de qualidade para eles.
Como a Receita Federal é um órgão público, nós fazemos licitação para a compra de ração e para contratar veterinários.
Nossos agradecimentos ao Cleiber Ferreira, da Receita Federal, Aeroporto de Viracopos, Campinas, SP
