Cachorro é membro da família, mas não é gente!
Animais de estimação são amados e fazem parte da família. Com o passar do tempo os animais estão ocupando lugar de importância nas famílias, sendo que em razão do afeto e carinho que lhes dedicam muitos tutores os tratam como se fossem filhos. Alguns tutores tratam os animais como se fossem crianças, os levam para passear no carrinho ou em bolsa, conversam com eles como se fossem crianças, adotam rotina de compromissos com o cachorro como se ele fosse gente. Todo amor dedicado aos cães é bem-vindo, mas não pode haver exagero no tratamento, pois o cachorro é membro da família, mas não é gente.
Fernando Lopes, que é especialista em adestramento e comportamento canino, elucida alguns aspectos que tornam a convivência de tutor e animal de estimação saudável e prazerosa para ambos.
A humanização do cachorro está na moda. Algumas creches fazem festinhas de aniversário, comemoram a páscoa, realizam festas juninas, vestem os cachorros com camisa xadrez, com manga, chapéu de palha amarrado, que sufoca o cachorro, tudo planejado para tirar foto bonita contra a vontade do animal. Isso é um transtorno para o cachorro, ele fica estressado.
É natural que o tutor queira deixar o seu pet bonito, cheio de estilo, mas se vestir roupa no animal, antes de tudo precisa ser confortável. Vesti-lo com roupas exóticas, cheias de frufrus estressa o cachorro.
Animal não é brinquedo, não foi projetado para isso, tem pelo e subpelo, a roupa não faz bem a eles. Algumas raças, como Huski Siberiano, Malamute do Alasca, Chow Chow não gostam de roupas, eles estão acostumados com temperaturas abaixo de zero. Colocar roupa em gato é pior ainda, o gato é ainda mais sensível que o cachorro.
Colocar sapatinho no cão é extremamente prejudicial, pois ele transpira pelas patas, não se pode inibir essa transpiração. Isso afeta diretamente o comportamento do cão, mexe com o emocional dele.
O cão faz parte da família, mas não é humano. Tutores precisam dosar essa mania de tratar o cão como se fosse gente. Para satisfazer uma vaidade pessoal é que as pessoas estão fazendo isso com os cães. Essa atitude tende a piorar o comportamento dos cães, e a convivência salutar acaba se tornando com o passar do tempo uma convivência difícil e o tutor depois não sabe o porquê, e acaba por descontar no animal, que não tem culpa.
Os tutores devem optar por colocar uma fitinha, uma purpurina, um lacinho suave no cão. Se quiser colocar uma roupinha no seu cachorro, deve antes consultar o veterinário ou adestrador, que vai indicar a roupa ideal, confortável, sem muito exagero, sem muito frufru.
Alguns lugares para eventos, chegam a realizar festas colocando os cães fantasiados numa sala grande com música alta e efeitos de luz. Isso para o cachorro é um transtorno, pois o cão tem a visão prejudicada e a audição muito aguçada. Estimulam os cães com petiscos, com prêmios, para parecerem felizes, quando na verdade estão estressados e tristes.
Nossos agradecimentos ao Fernando Lopes. Nascido e criado no meio de adestradores e do adestramento de pastores alemães, fundou em 2009 a Red Dog Walker, que vem com uma proposta diferenciada.
Sua paixão pelo adestramento de cães, o levou a desenvolver a técnica denominada Correção Comportamental Canina, que compreende o adestramento canino, corrigindo não só o comportamento, como também socializando o cão com pessoas e outros cães.

